Era perto de meio dia quando o metrô começou a parar na estação Uruguaiana e eu te vi do outro lado da porta, esperando para entrar. A porta da composição se abriu e no segundo em que nos cruzamos – em nossos caminhos opostos – ambos percebemos o que aconteceu. O encontro dos olhares me deu a certeza (aquela certeza que só o coração pode dar) de que, naqueles poucos instantes, nos amamos. E nos amamos da maneira mais intensa que o amor pode ter. Nesse nosso sutil e efêmero encontro consegui notar que você desejou – assim como eu – que o destino nos permitisse mais do que apenas esse momento juntos.
Vi no seu olhar beleza digna de Helenas, Julietas, Desdêmonas e outras belas mulheres da literatura. Cheguei quase a imaginar nosso futuro, e creio que você também, com casamento, felicidade eterna e filhos correndo pela praia enquanto passeamos de mãos dadas. E a vontade de que o nosso instante durasse para sempre cresceu dentro de nós. E, apesar da crueldade de um encontro tão rápido e tão arrebatador, ambos sabemos que tivemos sorte de viver um amor do melhor jeito que pode haver. Porque sim, é possível viver um amor de dois segundos. E nesses dois segundos congelados no tempo nós vivemos tudo que o amor pode oferecer.
Imaginamos todo tipo de declaração desastrada que poderíamos inventar, todas as juras eternas de amor, e ainda qual caminho cada um seguiria na vida (ou que um gostaria que o outro seguisse). E isso só foi possível porque temos certeza, como disse o poeta, que estamos sempre esperando alguém que caiba no nosso sonho. E admito que você se encaixou perfeitamente no meu. Pois é, nessa grande brincadeira que é a vida, eu senti naqueles dois segundos que você era perfeita pro que eu quero. Se não para sempre, pelo menos para agora. E em um encontro como esse, o agora é o que importa. Em dois segundos, fui completamente apaixonado por você e você por mim. E nosso amor foi infinito enquanto durou.
Quando o metrô tornou a andar – agora com você do lado de dentro e eu do lado de fora – não resisti a olhar para trás. E quando notei que você ainda me olhava, não pude deixar de ter a sensação de que, junto com você, estava indo embora o meu amor. O amor mais curto e mais efêmero da minha vida. E também o amor mais intenso e (ah, o paradoxo...) mais duradouro que já vivi, exatamente por ser do jeito que foi. Um amor de dois segundos.
sábado, 26 de dezembro de 2009
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